
Impulsionado pelo avanço do streaming, pela expansão dos grandes eventos e por uma atuação mais incisiva no combate à inadimplência, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) encerrou 2025 com números expressivos: R$ 2,1 bilhões arrecadados e R$ 1,7 bilhão distribuído em direitos autorais a mais de 345 mil artistas e compositores nacionais e estrangeiros. Os números constam do relatório anual do órgão e representam crescimento de 15% na arrecadação e de 10% na distribuição em relação a 2024, segundo o relatório anual divulgado pela instituição.
O desempenho reforça a consistência do Ecad e das associações que o compõem (UBC, Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam e Socinpro) e reflete investimentos em tecnologia, cibersegurança, compliance e ampliação do diálogo institucional com usuários de música em todo o país, ou seja, estabelecimentos comerciais, plataformas digitais, rádio, TV, cinema, casas de festas, shows e outros locais de frequência coletiva. Em 2025, o segmento digital consolidou sua liderança e foi responsável por 33,6% da arrecadação total, além de apresentar o maior crescimento do ano: 47,2%, impulsionado pelas negociações com plataformas de streaming.
De acordo com o documento, o segmento de Shows e Eventos também apresentou avanço relevante, com crescimento de 13,2% na arrecadação, refletindo a expansão de turnês nacionais e internacionais e dos grandes festivais realizados no país.

Na distribuição dos direitos autorais de música, 78% dos valores foram destinados a artistas e compositores nacionais. O valor médio distribuído foi de R$ 4,6 mil, representando aumento de 8,8% em relação ao ano anterior. Entre os segmentos do Ecad que mais cresceram na distribuição estão Festas Juninas, Carnaval e Música ao Vivo.
A tecnologia seguiu como pilar estratégico da operação do Ecad. Em 2025, foram identificadas 5,8 trilhões de execuções musicais nas plataformas digitais e cerca de 50 bilhões de exibições de conteúdos audiovisuais. Nos segmentos de Rádio e TV, os índices de identificação automática se aproximaram de 100%, trazendo benefícios para artistas e compositores.
“No campo regulatório, o Ecad acompanhou de perto a discussão sobre a regulamentação da inteligência artificial, especialmente o Projeto de Lei nº 2.338/23, defendendo regras que garantam consentimento, reconhecimento e remuneração justa aos criadores. A instituição também liderou as primeiras ações judiciais no Brasil sobre o uso de IA, como o caso do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que reconheceu a legitimidade do Ecad para cobrar direitos autorais de um parque temático em Pomerode, que usou IA para sonorizar seus ambientes. A Justiça confirmou que a cobrança se aplica a qualquer utilização musical de execução pública, independentemente da origem ou da forma da obra”, informa o órgão.
A inadimplência de órgãos públicos e grandes eventos permaneceu como desafio relevante em 2025. Para enfrentar esse cenário, a instituição intensificou a atuação junto a prefeituras e governos estaduais, ampliando acordos para regularizar execuções públicas e revertendo quadros históricos de inadimplência, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Confira o relatório do Ecad (2025) na íntegra:
https://www4.ecad.org.br/wp-content/uploads/2026/03/ECAD_relatorioanual_2025.pdf

