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Mulheres ainda são minoria entre os compositores, diz estudo da UBC

Como vem fazendo desde 2018, a União Brasileira de Compositores (UBC) acaba de divulgar a edição 2026 do estudo “Por Elas Que Fazem a Música”. O estudo apresenta um retrato contundente da desigualdade de gênero na indústria musical. “O levantamento revela que as mulheres ainda recebem apenas 10% do total distribuído de direitos autorais no país, um dado alarmante que expõe a estagnação na busca por equidade no setor. Além da disparidade financeira, o estudo também aponta a persistência da discriminação e do assédio, desafios que seguem limitando o avanço feminino na música”, informa o press release. 

Os números relativos ao ano de 2025 reforçam essa desigualdade estrutural. Entre os 100 maiores arrecadadores da UBC, apenas 11 são mulheres, evidenciando a baixa representatividade feminina no topo da cadeia de arrecadação. Em contrapartida, a melhor colocação feminina avançou do 21º para o 16º lugar, indicando que, embora a presença ainda seja pequena, as mulheres que chegam ao topo estão melhor posicionadas. O levantamento da UBC, principal associação de autores do país, certamente deve-se repetir entre as outras entidades. 

Ao analisar a distribuição de renda entre as mulheres por categoria, observa-se que as autoras se destacam, concentrando 73% do total recebido pelas mulheres na UBC. Em contrapartida, as versionistas e produtoras fonográficas registraram a menor participação, representando apenas 1% cada da arrecadação. Já as intérpretes corresponderam a 23% e as músicas executantes a 2%, demonstrando que, apesar de avanços em algumas frentes, a presença feminina ainda precisa ser fortalecida em diversas áreas do setor musical. Veja abaixo:

“Um dado que reafirma essa necessidade é o crescimento de 229% no número de mulheres associadas à UBC desde a primeira edição do relatório, em 2017, um salto expressivo que reflete o interesse e a busca por reconhecimento na indústria, mas que ainda não se traduz de maneira proporcional nos rendimentos obtidos”, destaca o press release. 

A distribuição regional das associadas da UBC mostra que o Sudeste, Nordeste e Sul continuam concentrando a maior parte das mulheres na música, somando juntas 88% do total. O Sudeste segue na liderança, enquanto o Norte registra a menor participação. Atualmente, 60% das associadas estão no Sudeste, 17% no Nordeste, 11% no Sul, 8% no Centro-Oeste e apenas 3% no Norte. A desigualdade geográfica reforça a importância de políticas e iniciativas que promovam uma distribuição mais equilibrada e incentivem mulheres de todas as regiões a ingressarem e prosperarem no setor musical.

O último ano também foi marcado por um aumento expressivo no cadastro de obras e fonogramas com participação feminina. O número de fonogramas registrados por produtoras fonográficas cresceu 13%, enquanto o de obras cadastradas por autoras e versionistas teve um aumento de 12%, sinalizando um avanço na presença das mulheres não apenas como intérpretes, mas também nos bastidores da produção musical. 

Quanto às fontes de arrecadação, os segmentos de Rádio e Show se destacaram como os mais lucrativos para as mulheres, representando cada um 17% da arrecadação total feminina. Em seguida, vem o crescimento do streaming de música, com 11%, Já o Cinema ficou na outra ponta, com 0,5% da renda total das mulheres no setor.

Apesar do cenário desafiador, a UBC tem se destacado como uma entidade comprometida com a equidade de gênero. Atualmente, 100% das filiais da entidade são gerenciadas por mulheres. Além disso, 59% da equipe é composta por mulheres, e elas ocupam 57% dos cargos de liderança. Em 2023, a organização deu um passo significativo ao eleger Paula Lima como sua primeira Diretora-Presidenta, reafirmando o compromisso com a valorização da liderança feminina e a busca por mudanças estruturais na indústria da música.

Paula Lima destaca a importância do estudo como um instrumento de transformação: “O relatório Por Elas Que Fazem a Música 2026 revela que o crescimento da presença feminina na UBC é resultado de um processo contínuo de transformação e de um compromisso real com a equidade. O crescimento acumulado de 229% traduz não apenas a ampliação de oportunidades e realizações, mas representa para além de números, histórias, trajetórias e conquistas de mulheres que há anos lutam por espaço, reconhecimento e voz. É o reconhecimento do papel essencial das mulheres na construção da música brasileira. Fazer parte dessa caminhada e presidir a UBC neste momento histórico é, para mim, uma honra profunda e uma grande responsabilidade. Significa reafirmar o compromisso de fortalecer políticas de inclusão, valorizar o talento feminino e contribuir para a construção de uma indústria musical cada vez mais diversa, justa e verdadeiramente representativa”, afirma.

Clique no link e confira o estudo completo: “Por Elas Que Fazem a Música”

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