
Candidato a vencer premiações mundo afora, chega na sexta-feira, 24, nas plataformas, o álbum “Maracanós”, projeto autoral que reúne o compositor e percussionista Airto Moreira e o pianista, compositor e produtor Ricardo Bacelar. Essencialmente instrumental, o álbum será lançado simultaneamente no Brasil, Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha, China e Japão.
A gravação de “Maracanós” (capa abaixo) aconteceu no ano passado, como conta Ricardo Bacelar: “Airto esteve no estúdio Jasmin (Fortaleza) em duas oportunidades. Na primeira delas, ao lado da cantora Flora Purim, gravamos o single “Aqui, ó” (já nas plataformas), um álbum e um longa-metragem, em fase de produção, que registrou todo o processo de gravação deste disco, ainda inédito. Na segunda viagem dos dois para Fortaleza, Airto e eu fizemos as composições e gravamos ‘Maracanós’. A ideia do disco nasceu durante a captação do longa e foi uma época de muita felicidade para todos, tivemos ótimos momentos”.

Para Airto Moreira, considerado o pai da percussão contemporânea, todo o processo foi muito inspirador: “Estou muito contente com tudo o que aconteceu. O estúdio é maravilhoso, tem tudo o que a gente precisa para fazer uma gravação de primeira qualidade. Pude usar bastante a minha voz, também – às vezes canto quando não estou tocando, por alguns segundos. Para mim, foi assim como uma cama na qual eu pude me deitar, criar e descansar ao mesmo tempo”.
Em abril, Airto será homenageado com o NEA Jazz Masters Fellowship, concedido pela National Endowment for the Arts — o mais alto reconhecimento oficial dedicado ao jazz nos Estados Unidos. A distinção é atribuída a artistas cuja contribuição teve impacto excepcional no desenvolvimento da linguagem do jazz ao longo de décadas, situando o músico brasileiro entre os nomes mais relevantes da história do gênero.
Com abordagem estética arrojada, “Maracanós” transita por caminhos não convencionais, combinando instrumentos acústicos e sintetizadores em uma arquitetura sonora que equilibra improvisação, densidade harmônica e pesquisa timbrística. Criatividade e liberdade pautaram a realização do álbum, como conta Ricardo Bacelar, que também assina a produção do projeto: “Quis prestigiar a liberdade e a experimentação muito presentes na música de Airto e Flora, a própria história dos dois. Fiz uma fusão de música acústica com percussões, cordas, texturas eletrônicas, conferindo originalidade e um caráter bastante imersivo ao disco, que foge do modelo comercial comum na indústria da música de hoje em dia”.

