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Caçula de João Gilberto, Loulu lança disco de estreia

Filha mais nova do genial João Gilberto, a cantora Loulu Gilberto, 21 anos, está lançando seu disco de estreia, de título homônimo e inspirado no universo artístico do pai, que morreu em 2019. Produzido por Cézar Mendes e Mario Adnet, o disco, em 13 faixas, vai além do tributo ao músico e cantor baiano, que ajudou a criar a bossa nova, ao englobar o samba, o jazz, o samba-canção, cantigas de ninar e “Qui Nem Jiló”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, um clássico do baião admirado por João.

“Manias” (Flavio Cavalcanti/Celso Cavalcanti), gravada por Dolores Duran em 1955, está entre os destaques do disco, enfatizando o elo de Loulu com o samba-canção. Já a inédita “O Amor nos Encontrou” recupera uma obra guardada da parceria entre Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli (antes deste primeiro registro em estúdio, havia apenas uma gravação privada de João). Veja o lyric vídeo:

O repertório reflete a intimidade de Loulu com a tradição e a obra do pai, como testemunha precoce de suas brincadeiras com as canções, na órbita privada. O disco reúne músicas aprendidas muito cedo em casa, a exemplo dos standards “Tea for Two” (Irving Caesar/Vincent Youmans) e “Mr. Sandman” (Pat Ballard), ou de “Joujoux e Balangandãs” (Lamartine Babo), “Cuidado com o Andor” (Mario Lago/Marino Pinto) e  “Dorme Que Eu Velo por Ti” (Mário Rossi/Roberto Martins).

Outras canções do disco de Loulu foram escolhidas a partir de uma pesquisa de gravações raras de João Gilberto descobertas na internet ou registradas por amigos e familiares, como “O Amor Nos Encontrou”, “Qui Nem Jiló”, “Manias”, “Duas Contas” (Garoto) e “Beija-me” (Mário Rossi/Roberto Martins). “Essas músicas estão num lugar da minha memória. Ele cantava e eu ouvia. Quando encontrei as gravações, para montar o repertório, soaram familiares”, diz Loulu. Tom Veloso, em “Avarandado”, Daniel Jobim (piano), em “Tea for Two”, e Maria Carvalhosa, em “Joujoux e Balangandãs”, são as participações especiais do disco.

Com voz suave, consciente do estilo de cantar do pai, ela redescobriu belezas do cancioneiro do passado, que ainda hoje soam modernas. As orquestrações de Adnet – as cordas foram gravadas pela St. Petersburg Estudio Orchestra – dialogam também com a sutileza dos arranjos de discos de João. “Esse cancioneiro ficou num lugar muito especial da minha cabeça. Eu lembrava das músicas, mas não exercitava aquilo. Ficou guardado até que a gente começou a falar em disco”, afirma a cantora.

Ouça o álbum de estreia de Loulu Gilberto:

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