
Há pelo menos duas décadas, o Brasil se destaca no segmento de música eletrônica, combinando audiência nas plataformas, festivais internacionais, artistas com alcance global e cenas locais inovadoras. Com o objetivo de mapear esse ecossistema em 2025, a União Brasileira de Compositores, em parceria com a Brazil Music Conference, está lançando o relatório “Mapa da Música Eletrônica no Brasil”.
A partir de dados de mercado e entrevistas com profissionais da indústria, o estudo revela que o mercado de música eletrônica no Brasil vive uma fase de consolidação e transformação, marcada pelo fortalecimento de artistas nacionais, expansão internacional e mudanças no comportamento do público. Nos últimos anos, o país deixou de ser apenas consumidor de tendências internacionais para se tornar também exportador de artistas e sonoridades, com nomes brasileiros ocupando posições de destaque em festivais e plataformas de streaming ao redor do mundo.
Esse movimento, descrito no estudo como “Brazilian Storm”, reflete a ascensão de DJs e produtores nacionais, que passaram a atrair grandes públicos e a competir em visibilidade com artistas estrangeiros. Hoje, o line-up de grandes eventos no país já não depende exclusivamente de atrações internacionais para garantir público. E festivais internacionais como Coachella, Primavera Sound e Sonar passaram a contar com DJs brasileiros como principais atrações, a exemplo de Vintage Culture, ANNA, Alok, Mochakk, Clementaum e Cashu.
Outro destaque é o perfil do público brasileiro, caracterizado como jovem, conectado e altamente engajado. Fãs de música eletrônica no país consomem, em média, mais de 16 horas semanais do gênero e demonstram forte presença nas redes sociais, que se consolidaram como principal canal de descoberta musical — especialmente entre a Geração Z.

A digitalização, aliás, é um dos principais vetores de transformação da cena. A experiência musical, antes centrada na pista de dança, passa a incorporar elementos visuais e digitais, com eventos cada vez mais pensados para gerar impacto nas redes sociais e engajamento online.
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles, o alto custo de produção de eventos, a dificuldade de captação de patrocínios fora de segmentos tradicionais, a falta de dados estruturados sobre o mercado e entraves relacionados à arrecadação de direitos autorais. Além disso, há uma concentração crescente em grandes festivais, o que dificulta a sustentabilidade de iniciativas menores e mais experimentais.
Por outro lado, o estudo aponta oportunidades relevantes, como a expansão para novas regiões do país, o fortalecimento de colaborações entre artistas brasileiros e internacionais e a integração com outros gêneros musicais, como funk, pop e sertanejo — característica que reforça o potencial criativo e híbrido da música eletrônica no Brasil.
Entre as recomendações, o relatório destaca a necessidade de maior organização do ecossistema, investimento em dados e pesquisas, além de estratégias mais conectadas à cultura local por parte de players internacionais. Com um público fiel, artistas em ascensão global e forte presença digital, a música eletrônica brasileira se consolida como um dos segmentos mais dinâmicos da indústria cultural no país — e um vetor estratégico de inovação, exportação e impacto econômico.

A música eletrônica é um segmento de grande relevância também econômica e cultural, movimentando globalmente mais de 15 bilhões em toda sua cadeia de eventos. Por isso um estudo e consequente diagnóstico do seu status no Brasil tem muito impacto no nosso setor. Temos enormes desafios de uma correta arrecadação e mais ainda distribuição e este diálogo aberto e franco com o mercado é o caminho mais curto para aproximar distâncias e buscar novas instâncias de colaboração conjunta. O estudo comissionado pela UBC tem este papel, como sociedade de gestão coletiva líder e como maior representante deste repertório internacional e nacional , afirma Marcelo Castello Branco, diretor executivo da UBC.
Encomendado pela UBC, o estudo ‘Mapa da Música Eletrônica no Brasil’ foi desenvolvido pelo jornalista e DJ Camilo Rocha ao lado de Claudio da Rocha Miranda Filho (especialista no segmento de emusic, curador e diretor artístico de música eletrônica na Rock World, empresa que realiza o Rock in Rio, The Town e Lollapalooza no Brasil) e Mauricio Soares (esteve à frente de eventos como Skol Sensation, Tomorrowland Brasil, Electric Zoo e Milkshake e atualmente é diretor de Marketing da empresa de Alok).
Segundo Claudio da Rocha Miranda Filho, o Mapa da Música Eletrônica buscou oferecer contexto e perspectiva, reunindo elementos críticos para a compreensão do mercado, de forma a instrumentalizar os tomadores de decisão de todo o ecossistema. “É importante mencionar o caráter mais qualitativo do que quantitativo do estudo. Esperamos com o material oferecer um guia para analisar a atualidade brasileira, suas oportunidades e desafios. Foi um enorme prazer e também um desafio religar a vertical de Pesquisa e Desenvolvimento do BRMC (plataforma que de 2009 a 2021 realizou uma série de conferências e eventos para o trade da música eletrônica), desta vez na companhia privilegiada do Maurício Soares e o Camilo Rocha, dois profissionais atuantes e participativos em muitas fases do desenvolvimento da indústria”, diz ele.
O relatório completo está disponível para acesso no site da UBC.

