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Bruno Caliman fala sobre discos que o inspiraram

Na foto: Bruno Caliman

Na foto: Bruno Caliman

Quem ouve os megahits assinados por Bruno Caliman, um dos líderes em arrecadação de direitos autorais no país, deve achá-lo um romântico inveterado. E provavelmente ele o é. Não fosse assim, não teria criado pérolas como Domingo de manhã, Te esperando, Romântico anônimo, Locutor, Destino, Amuleto, Contrato vitalício, Oi, Já não sei mais nada e Beijo bom. Artesão das palavras, Caliman, numa proporção menor, também sabe animar o público com suas composições – Camaro amarelo e Fiorino estão nesse grupo. O fato é que o músico, que após integrar uma banda pouco conhecida na Bahia, passou a perambular pelo nordeste com seu violão, criando e vendendo jingles para pequenas lojas, sabe como poucos contar boas histórias em suas letras, usar frases de efeito, criar refrões que emocionam. Ao todo, são mais de 200 canções gravadas e outras tantas inéditas, prontas para ganhar vozes.

O que pouca gente sabe, no entanto, é que o capixaba de 42 anos revela-se um artista incomodado com as questões sociais do país e o comportamento humano quando mostra seu repertório próprio, de cantautor, nos shows esporádicos que realiza. Faixas como Enquanto há tempo e Rayban atestam seu engajamento. Um pouco do que pensa e a forma como enxerga o mundo podem ser encontrados nas influências musicais de Bruno, relacionadas nesta seção Top 10, em que ele cita dez álbuns representativos para sua história artística e de vida.

Sobre a dicotomia entre compor hits populares e canções reflexivas, ele comenta. “Quando componho, a única coisa com que me preocupo é tentar escrever uma boa história e me comunicar. As pessoas, com certa razão, costumam me rotular com base nas minhas músicas que outros artistas escolheram gravar – e eu compreendo. Talvez ficará mais claro para elas entenderem o que eu penso quando eu gravar meu próprio repertório”, afirma. “Há três anos, por exemplo, escrevi Enquanto há tempo, que gravei com o Zé Geraldo, um dos meus grandes ídolos. Ela está disponível no YouTube. Foi minha maneira de deixar uma mensagem sobre um tema tão delicado no Brasil hoje em dia. Sinto que o ódio está contaminando tudo, o ódio é muito virulento. Se você bobear e cair nas tentações das redes sociais e grupos de família, por exemplo, logo estará julgando os outros e apontando o dedo – isso é muito perigoso. A ordem é ferir o outro, a ordem é destruir o que o outro pensa ou é”, continua.

Indagado sobre sua forma de compor, Bruno afirma: “no geral, sou muito inseguro. Tem dias em que eu acordo acreditando em tudo que escrevo. Há outros em que quero jogar tudo fora. Na verdade, o dia inteiro eu fico com o violão no colo, riscando um papel. Minha pele ficou ‘cinza’, porque sou moreno e, por conta dessa rotina, não pego sol. Fico com a bunda no colchão, olhando pro teto, com um copo de chocolate quente do lado. Às vezes minha esposa bate na porta e avisa que tem vida lá fora”.

Sobre a carreira paralela de cantor, ela confirma que se apresenta esporadicamente, porém essa frequência deve aumentar, já que está gravando um DVD, intitulado Borboleta de aquário, que deve gerar um show. “Passei dois anos trancado no apartamento compondo e escrevendo e, agora, no fim do ano, vou soltar as músicas”, afirma ele, confirmando que nos shows toca alguns de seus sucessos, mas prioriza as canções que mostram sua essência, os valores em que acredita como ser humano. “É bem diferente quando a música sai da minha boca. É um discurso meu. Sou eu contando a história e isso é muito mais empolgante. Tudo tem um sentido mais amplo, mais estranho. É uma viagem diferente esse lance do palco. É como subir numa nave e abduzir todo mundo que está na plateia. Eu sou muito feliz no palco, apesar de ter feito poucos shows até agora”.


A seguir, o Top 10 Discos de Bruno Caliman:

DESIRE – Bob Dylan (1976)
“É um disco que encontrei por acaso no meio da discoteca de um dos meus tios. Foi o álbum que me despertou para eu me aprofundar no mundo da música folk. Este álbum tem o clássico Hurricane”

Desire - Bob Dylan

DESIRE – Bob Dylan (1976)

FORÇA VERDE – Zé Ramalho (1982)
“Sabe a expressão ‘ouvir um disco até furar?’ Foi o que eu fiz com esse clássico do Zé Ramalho. A experiência de ouvir esse disco a pleno volume, com a luz do quarto desligada, foi umas das coisas mais incríveis da minha vida. Era quase uma viagem lisérgica”.

FORÇA VERDE - Zé Ramalho (1982)

FORÇA VERDE – Zé Ramalho (1982)

O INIMITÁVEL – Roberto Carlos (1968)
“O romantismo melancólico desse disco – que tem faixas como As canções que você fez pra mim e Eu te amo, eu te amo, eu te amo – me fascina até hoje. Para mim, é o grande álbum do Roberto, um dos discos mais incríveis já gravados no Brasil”.

O INIMITÁVEL - Roberto Carlos (1968)

O INIMITÁVEL – Roberto Carlos (1968)

THE WALL – Pink Floyd (1979)
“Esse, eu acredito, nem precisa de explicação. Com músicas eternas, como Another brick in the wall, esse álbum é um clássico obrigatório para qualquer artista de qualquer arte – no mundo inteiro”.

THE WALL - Pink Floyd (1979)

THE WALL – Pink Floyd (1979)

GITA – Raul Seixas (1974)
“A parceria de Raul Seixas com o escritor Paulo Coelho rendeu canções antológicas que influenciaram minha poesia (além da faixa-título, Medo da chuva e Sociedade alternativa, entre outras). É o disco com a capa mais emblemática do rock: Raul com sua guitarra vermelha semi-acústica e seu Rayban”.

GITA - Raul Seixas (1974)

GITA – Raul Seixas (1974)

KRIG-HA, BANDOLO – Raul Seixas (1976)
“Trata-se do primeiro álbum solo do Raul, que contém Ouro de tolo, canção que considero a mais importante da minha vida. Foi ela que me fez entender que a letra de uma canção pode transformar alguém”.

KRIG-HA, BANDOLO - Raul Seixas (1976)

KRIG-HA, BANDOLO – Raul Seixas (1976)

CIDADÃO – Zé Geraldo (1979)
“Foi com esse disco (puxado pela faixa-título) que comecei a conhecer a obra de um dos meus grandes influenciadores. Zé Geraldo é a maior referência folk que tenho no Brasil. Seus textos me inspiram até hoje”.

CIDADÃO - Zé Geraldo (1979)

CIDADÃO – Zé Geraldo (1979)

O MELHOR DE PENA BRANCA E XAVANTINHO (1997)
“Entre todos os discos que tenho ou já tive esse, pra mim, é o mais comovente. Me ensinou a ser sincero com minha arte. A simplicidade e a sensibilidade desses dois foram determinantes pra minha construção artística”.

O MELHOR DE PENA BRANCA E XAVANTINHO (1997)

O MELHOR DE PENA BRANCA E XAVANTINHO (1997)

THE WHITE ALBUM – Beatles (1968)
“Fui apresentado aos Beatles com esse disco (que tem clássicos como Revolution). Um dos poucos LPs que guardei naquela loucura que foi a transição para o CD. Beatles é parte importante de tudo que faço e penso sobre música hoje”.

THE WHITE ALBUM - Beatles (1968)

THE WHITE ALBUM – Beatles (1968)

Elvis Presley – Toda discografia
“Pra mim, o grande artista da história da humanidade. A síntese do rock, do country e da música negra, tudo em um homem só. Tudo que ele fez me toca.”.

Elvis Presley - Toda discografia

Elvis Presley – Toda discografia

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