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Fagner completa 70 anos com discografia digitalizada

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Cearense de Orós, com uma história respeitadíssima como intérprete e “cantautor” (cantor e compositor engajado com causas sociais e críticas aos governantes), Raimundo Fagner completou ontem, dia 13, 70 anos de idade. Para comemorar a data, a Sony Music disponibiliza no formato digital todo o catálogo de artista, seguindo o que já fizera com Zé Ramalho, outro artista nordestino que tem boa parte obra vinculada à gravadora – e que neste mês também completa sete décadas de existência.

No caso de Fagner, são 13 títulos que estarão disponíveis pela primeira vez nas plataformas de streaming, sendo nove originais, de carreira – “A Mesma Pessoa” (1984), “Fagner” (1986) – e os demais com preciosas faixas bônus: “Orós” (1977), “Eu Canto (Quem Viver Chorará)” (1978), “Traduzir-se” (1981), “Sorriso Novo” (1982), “Palavra de Amor” (1983), “Fagner” (1985) e “O Quinze” (1989).  Além disso, dois álbuns que já estavam disponibilizados – “Beleza” (1979) e “Eternas Ondas” (1980) – ganham agora versões com faixas extras. Fazem parte ainda do pacote as coletâneas “Chave de Mim” (1989), “Entre Amigos” (1990) e “Bateu Saudade” (1996), além de um compacto com o jogador Zico (“Batuquê de Praia” e “Cantos do Rio”), de 1982.

Após sair vitorioso em festivais universitários no Ceará e em Brasília, de ter feito uma participação no Festival Internacional da Canção de 1972, Fagner enfim gravou seu primeiro disco no ano seguinte na Phonogram. Depois lançou outros dois LPs pela Continental até fechar com a CBS em 1977. Ali gravou seu quarto álbum, “Orós”, projeto experimental sem deixar de ser popular, aliando forró, jazz e psicodelia. Esta edição traz de faixas bônus “Acalanto Para um Punhal” e “Depende” (Fagner/ Abel Silva), e uma nova versão de “Flor da Paisagem”, ambas lançadas originalmente no LP de Amelinha daquele ano, cujo título era o mesmo desta última canção.

A seguir, atendendo a um conselho do “Rei” Roberto Carlos, passou a gravar músicas que tivessem maior apelo popular. Foi o caso de “Revelação”, inclusa no LP “Eu canto” (1978), que ganhou as paradas de sucesso de todo o país. Em novembro de 1979, o cantor venceu o Festival 79 de Música Popular da TV Tupi, com “Quem Me Levará Sou Eu” (Dominguinhos/ Manduka). Ainda em 1979, o álbum “Beleza” revelou o grande sucesso “Noturno” (Caio Sílvio/ Graco), tema de abertura novela das oito “Coração Alado”, da TV Globo. Entram agora neste pacote digital as faixas bônus “Tudo ou Nada” e “Quatro Prantos” e “Morena Penha”.

O álbum favorito do cantor, “Traduzir-se” (1981) nasceu de uma viagem à Espanha, sendo lançado também na Europa e América Latina. Além da faixa-título, em que musicou os belos versos de Ferreira Gullar, o disco consagrou “Fanatismo”, canção de Fagner sobre poema da portuguesa Florbela Espanca. “Sorriso Novo” (1982) trouxe mais dois poemas de Florbela Espanca (“Fumo” e “Tortura”) e outro de Ferreira Gullar (“Qualquer Música”). Foi gravado em Nova York e a mais tocada foi a balada autoral “Pensamento”.

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“Palavra de Amor” (1983) teve como principal faixa o hit nacional “Guerreiro Menino”, de Gonzaguinha, além de parceria vocal com Chico Buarque em “Contigo” (Fagner/ Ferreira Gullar) e a releitura da melancólica “Prelúdio pra Ninar Gente Grande”, de Luiz Vieira. Considerado pelo cantor seu disco de melhor sonoridade, “A Mesma Pessoa” (1984) trouxe o sucesso “Cartaz” (Francisco Casaverde/ Fasuto Nilo) e a regravação do pop/romântico “Só Você”, hit de Vinícius Cantuária. Em 1985 foi a vez de “Fagner”, seu último álbum na CBS. Trazia as participações de Beth Carvalho no samba “Te Esperei” e mais uma vez Chico Buarque, na divertida “Paroara”.

Seu álbum de estreia na RCA (depois BMG, hoje Sony Music), “Fagner” (1986)  foi catapultado pela faixa “Lua do Leblon”  e “Dona da Minha Cabeça” (outra de Fausto, com Geraldo Azevedo), vendendo 300 mil cópias. O disco seguinte, “Romance no Deserto” – que já se encontrava nas plataformas de streaming – foi um dos maiores best sellers do cantor, chegando às 700 mil unidades vendidas, graças ao megahit “Deslizes”.

Dois anos depois, o eclético “O Quinze” foi outro tiro certeiro do artista, vendendo 500 mil cópias com repertório entre o sofisticado e o popular, agregando regravações do bolero “Tortura de Amor”, de Waldick Soriano, da valsa “Joana Francesa” (Chico Buarque, em novo dueto com o próprio) e a balada soul “As Dores do Mundo” (Hyldon). Uma das mais executadas foi a balada “Amor Escondido” (Fagner/ Abel Silva), incluída na trilha da novela “Tieta”, da TV Globo. Este álbum, lançado na época da transição do formato “Long play” para o “Compact Disc”, teve uma edição ampliada nesta última mídia, que cabia mais músicas, trazendo uma recriação de seu hit inicial, “Mucuripe” e a então inédita “Amor e Crime” (Belchior/ Francisco Casaverde).

Fechando o pacote, três coletâneas. “Chave de Mim” (1989) faz um apanhado de sua fase “CBS” (1977-1985). “Entre Amigos” apresenta duetos do cantor com Cazuza (“Contramão”), Roupa Nova (“Palavra de Amor”), Nara Leão (“Penas do Tiê (Você)”), Ney Matogrosso (“Postal de Amor” e “Ponta do Lápis”), além dos já citados Amelinha, Chico Buarque, Beth Carvalho e Mercedes Sosa. Finalmente, “Bateu Saudade” (1996) traz um Fagner forrozeiro, incluindo o hit “Pedras que Cantam” (Dominguinhos/ Fausto Nilo, 1991), tema de “Pedra Sobre Pedra”, da Globo, e diversos forrós clássicos, incluindo participações de dois dos maiores ícones do gênero, Marinês e Luiz Gonzaga, respectivamente em dois medleys.

Ouça algumas faixas da discografia de Fagner que está sendo lançada no formato digital:

 

 

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