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Dominguinhos foi um símbolo do São João

Em muitas cidades brasileiras, os festejos juninos reúnem, além de quermesses, quadrilhas  e comes e bebes, grandes shows musicais – em muitos casos, em espaços que recebem milhares de pessoas. E o dia 24 de junho de certa forma sintetiza o que convencionamos chamar de Festas Juninas. É dia de São João.

Um personagem importante na história desses festejos nos deixou há cinco anos: José Domingos de Morais, o Dominguinhos, pernambucano de Garanhuns. “Neném do acordeon”, como era chamado na infância, começou a carreira por influência do pai, Mestre Chicão, conhecido sanfoneiro e afinador de sanfonas, que o presenteou com uma sanfona de oito baixos quando ele tinha apenas seis anos. Logo ele formou um trio (Os Três Pinguins) com seus dois irmãos, Moraes e Valdomiro, que tocava em portas de hotéis, feiras, rodoviárias etc.

Numa ocasião, Luiz Gonzaga hospedou-se num hotel da cidade de Tavares Correia, em frente ao qual o trio costumava se apresentar. Naquele dia, Os Três Pinguins foram chamados para tocar dentro do hotel, especialmente para o Rei do Baião e seus acompanhantes.

Em 1954, Dominguinhos foi para o Rio de Janeiro com seu pai, que procurou Gonzaga pedindo apoio para o garoto. A partir daí, Gonzagão virou o verdadeiro mestre de Dominguinhos: levava-o aos seus shows, ensaios e gravações, além de presenteá-lo com uma sanfona.

Em 1957, Gonzagão  trocou o apelido Neném do Acordeon por Dominguinhos, que, na mesma época, fez sua primeira gravação profissional, tocando sanfona na música “Moça de feira”, com seu padrinho artístico. Dez anos depois, Dominguinhos passou a integrar o grupo de Gonzaga, o que fez com que fosse reconhecido como músico e arranjador e se aproximasse de artistas consagrados.

Com a benção de “herdeiro artístico” de Gonzaga, o sanfoneiro realizou trabalhos junto a Nara Leão, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Elba Ramalho, Anastácia, Chico Buarque, Toquinho e outros. Consolidou sua carreira musical englobando gêneros musicais diversos, que iam da bossa nova, passavam pelo forró e iam até o jazz e o pop.

Entre os principais sucessos compostos e gravados por Dominguinhos, destacam-se “Eu Só Quero Um Xodó”, “Xote das Meninas”, “De Volta pro Aconchego”, “Lamento Sertanejo”, “Isso Aqui tá Bom Demais” e “Te Faço Um Cafuné”.

Em 2002, Dominguinhos venceu o Grammy Latino com o CD “Chegando de Mansinho”. Em 2012, foi novamente o vencedor da premiação na categoria Melhor Álbum de Raíz Brasileira, com o CD e DVD “Iluminado”.

Confira um dos clássicos de Dominguinhos, “De Volta pro Aconchego”, na voz de Elba Ramalho.

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