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Fabio Brazza divulga terceiro álbum da carreira

Apesar da pouca idade, 27 anos, Fabio Brazza já coleciona boas histórias para contar. E rimar! Cursou duas universidades, morou nos EUA, fez trabalho voluntário no Camboja, escreveu um livro, apresentou eventos no Brasil e exterior e foi astro de um dos maiores canais brasileiros do YouTube. Quer mais? Teve poema declamado por um deputado na Câmara Federal, poesia exposta no Museu da Língua Portuguesa e canções reverberadas em progressão geométrica nas redes sociais através de milhões de views e compartilhamentos. Conquistas importantes, mas encaradas pelo paulistano apenas como pano de fundo para seu principal objetivo: ser reconhecido como alguém que usa a arte como instrumento de transformação.

Para tanto, o artista se multiplica em várias facetas. “Me vejo mais como rimador e compositor. Ou, talvez, um comunicador. Meu forte é a rima, tanto no rap, quanto nas composições e improvisos. No fundo, gostaria que me vissem como um representante da música”, revela. Exatamente por isso, Brazza deixou há dois anos o Desimpedidos, canal popular do YouTube onde protagonizava as “batalhas das rimas”, focadas na rivalidade dos gramados.

Como “representante da música”, Brazza já gravou três álbuns: Filho da pátria (2014), Tupi or not tupi (de 2016, com participações de Paula Lima e Arnaldo Antunes) e finalmente o recém-lançado É ritmo, mas também é poesia. Nos três trabalhos, uniu suas duas grandes paixões: o samba e o rap. O processo de criação do último álbum, no entanto, foi um pouco diferente dos anteriores. Brazza teve beats e produção de Mortão VMG em todas as faixas. O que era pra ser uma parceria isolada, virou um disco completo. “Quando quis pagá-lo pelo beat de uma faixa, ele me sugeriu que, ao invés de remunerá-lo, gravássemos juntos um EP. Topei e comecei a escrever em cima do material que ele ía me mandando, mas me empolguei tanto que saíram dez faixas”, conta.

Algumas delas já ganharam clipes: São os casos de Solstício, O rap é preto, com participação de Rashid, e Odin. Porém, na avaliação do artista, a faixa preferida do público é Sigla-me os bons. Como sugere o título – adaptação da frase do personagem mexicano Chapolim Colorado –, a música é um exercício criativo do autor para incluir siglas e abreviações em versos bem humorados e contestadores. É o lyric video do novo disco mais assistido.

Outro destaque do álbum é México, primeiro rap gravado em espanhol. “Com as barbaridades ditas pelo Trump, quis escrever algo forte, mostrando minha solidariedade aos amigos mexicanos que fiz quando morei nos EUA. Gente honesta e que fazia serviços que o americano não chega nem perto”, lembra.

AGENDA CONCORRIDA

Falando em shows, a agenda do artista, que assinou contrato recentemente com o escritório Olho Vivo Produções, está bastante concorrida. Brazza ainda se apresenta sem músicos, numa formação enxuta: “Somos eu, meu DJ (Mendes) e o Italo Beatbox, que reforça minha voz e chega junto. Desta forma, conseguimos rodar bem, tocar em vários lugares. É um show bem voltado ao rap. Mais pra frente, quando tivermos bastante samba na apresentação, num lance mais musical, teremos banda também”, adianta.

Inquieto, Brazza se divide entre o palco, a divulgação do novo álbum e os muitos eventos dos quais participa (é também palestrante e mestre de cerimônias) com vários novos projetos. Deve lançar em outubro um EP-documentário, no qual passeará pela história da humanidade, entre crônicas, poesias e canções. Também vem preparando composições em samba para um possível novo álbum em 2018. “São canções que mostram um momento mais light que estou vivendo. Com menos peso político do que no último disco. Acho que estou racionalizando menos e conversando mais com a alma e o coração”, filosofa.

O artista também acaba de escrever seu primeiro livro, no qual conta experiências pessoais. Pra completar, ainda deu conta de “poetizar”, recentemente, uma historinha da Turma da Mônica. Contratado como “roteirista especial” da Mauricio de Sousa Produções, foi incumbido de melhorar algumas rimas de uma trama já escrita. Também escreveu uma história, criando uma batalha de rimas entre os célebres personagens do Bairro do Limoeiro.

Poesias, crônicas, rap, clipes, álbuns, livro e até quadrinhos. Tudo faz parte do “plano infalível” de Fabio Brazza para fazer as pessoas refletirem e quererem um mundo melhor, enquanto brinca com as palavras. “Quando me falam que estão estudando um determinado assunto ou lendo poesia por influência de alguma das minhas canções, surge a maior gratificação deste trabalho. Já teve professor que me disse que levou texto meu pra ser analisado em sala de aula. Sabe, essas coisas não tem preço e me motivam a continuar!”.

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